O artista

Nascido em Flores da Cunha, Brasil, em 1964, o artista plástico e interior designer Antônio Júlio Giacomin iniciou-se no universo da pintura no começo da década de 1980. O auto ditada aquarelista iniciou o curso de graduação superior em artes pela Universidade de Caxias do Sul, mas não foi adiante. Sua história era bem mais pessoal e foi em busca de novos workshops. Foi aluno de mestres como Joaquim da Fonseca (Instituto de Arquitetos do Brasil – Porto Alegre/RS), Marta Penter (Porto Alegre/RS), Alfredo Guati Rojo (México), Rick Kochenash (Minnesota River School of Fine Arts – Minnesota/USA), Charles Reid e Álvaro Castagnet (Enjoy Painting Catalonia – Costa Brava/Espanha). Entre dezenas de exposições foi selecionado na III e V Bienal Internacional de Acuarela (Museo de la Acuarela) – México 1998 e 2002, menção especial do júri no III prêmio Maimeri Brasil e 75 anos Maimeri (Memorial da América Latina) – São Paulo/SP, artista selecionado na IV Bienal Internacional de Acuarela de Viña del Mar – Chile 2004 e Menção Honrosa no XI Salão de Belas Artes de Ribeirão Preto/SP. Descendente de imigrantes italianos, Giacomin imprime em criações sobre papel o resultado de um olhar sempre reverente e generoso para com sua terra. Há também o destacado gosto pelo inusitado, pelos detalhes de cenários cotidianos, aos quais o artista revela uma beleza que passa despercebida ao olhar comum. Mesmo o que é considerado lixo revive sob os traços e cores desse poeta. Tipos humanos tampouco escapam de seu inspirado olhar de repórter da imagem. Em 2007, Giacomin lançou o livro Poesias em Aquarela com 204 páginas, agrupadas em blocos temáticos. Essa grande mostra em suporte gráfico é fruto das viagens realizadas pelo Rio Grande do Sul e por cenários com os quais este pedaço do Brasil mantém algum diálogo cultural. Em Caxias do Sul, onde reside e trabalha com a esposa Ana Mari e os filhos Gabriel e Bruno, ministra regularmente workshops de aquarela e desenho. Com experiência e muito talento, tornou-se um mestre em sua arte, atuando também com igual destaque na área do design de móveis e interiores.


A origem

Como artista em sintonia com símbolos e valores específicos do meio e da época em que vive, Antônio Júlio Giacomin imprime em suas obras recortes originais de paisagens e de interações humanas do ambiente em que modelou sua arte. Descendente de imigrantes que legaram nuances diversas ao Rio Grande do Sul, Giacomin devolve em criações sobre papel o resultado de um olhar sempre encantado, reverente e generoso para com sua terra, a exuberante Serra Gaúcha.

Giacomin descobriu que seus antepassados, vindos do norte da Itália (Fonzaso/Belluno) para a Serra Gaúcha em 1879, tinham o apelido de família de “Barch”, que era o nome dado aos pequenos feixes de feno encobertos nas montanhas, com os quais os animais eram alimentados no inverno. Esse hábito prossegue ainda hoje nas encostas da Serra. E Giacomin, de olhar atento e comprometido com a singeleza oculta nos detalhes, volta e meia registra em alguns trabalhos os montes de feno no cenário invernal. Espaço, cultura e memória: tudo inspira o artista, desde que exale a simplicidade cotidiana com que o homem constrói sua trajetória.

O estilo

A arte, na vida de Antônio Júlio Giacomin, de início como um hobby, cresceu e terminou por ocupar um espaço generoso do tempo antes dedicado ao ofício de designer. Na verdade, houve uma troca saudável entre essas duas instâncias, a do artista e a do técnico. Desse equilíbrio resultou um trabalho que não tardou a chamar a atenção pelo impacto técnico aliado à impressão estética. A sensibilidade do artista na captação de recortes do real e a eles emprestar uma figuração tão transcendente quanto perfeita transita pelo território da absoluta poesia visual.

Mas há também em sua arte a surpresa da temática. Não basta a Giacomin concentrar no acrílico ou na fluida aquarela imagens naturalmente impactantes, de paisagens da sua natal Serra Gaúcha e de outros arredores. Há também o destacado gosto pelo inusitado, pelos detalhes de cenários cotidianos, aos quais o artista revela uma beleza que passa despercebida ao olhar comum. Mesmo o que é considerado lixo revive sob os traços e cores desse legítimo poeta. Revela-se em suas aquarelas a luz improvável de objetos atirados em monturos, de baldes e tonéis enferrujando, de calhas no telhado e prosaicos chapéus de palha na parede, entre muitos outros vislumbres irreverentes sobre o aparentemente banal. Tipos humanos tampouco escapam de seu inspirado olhar de repórter da imagem.